A psicologia gosta de contar a sua história científica a partir do laboratório, sobretudo do laboratório de Wundt, em Leipzig, em 1879. Mas há aqui uma ironia curiosa: em muitos cursos de Psicologia, a formação laboratorial é hoje marginal ou praticamente inexistente.
Os estudantes aprendem estatística, métodos de investigação e desenho experimental. Mas isso não é o mesmo que aprender a fazer ciência experimental. Passar tempo num laboratório, montar procedimentos, trabalhar com equipamento, recolher dados comportamentais, lidar com falhas, afinar protocolos e perceber, na prática, o que significa medir uma variável são experiências de outra natureza.
Há, portanto, algo de estranho numa disciplina que invoca o laboratório como parte da sua identidade científica, mas que pouco treina os seus estudantes a trabalhar num.
Quantas licenciaturas em Psicologia em Portugal oferecem, de facto, formação experimental laboratorial continuada?