Os problemas das universidades portuguesas não se explicam apenas pelas decisões individuais de quem nelas trabalha. Resultam também das regras, dos incentivos e das estruturas que organizam a vida académica. É nesse plano institucional que se tornam visíveis algumas das fragilidades mais persistentes do sistema.
O texto parte da distinção entre instituições inclusivas e instituições extrativas para pensar o funcionamento das universidades. Instituições inclusivas tendem a distribuir oportunidades de forma mais aberta, a premiar o mérito, a facilitar a entrada de novas pessoas e ideias e a sujeitar o poder a regras relativamente impessoais. Instituições extrativas, pelo contrário, tendem a proteger posições estabelecidas, restringir a competição e reproduzir equilíbrios internos.
Aplicada ao ensino superior, esta distinção ajuda a compreender fenómenos como recrutamentos pouco abertos, forte dependência de redes internas, reduzida mobilidade académica e dificuldade em criar mecanismos claros de responsabilização. O problema está menos nas pessoas do que nas estruturas que condicionam a circulação de talento, ideias e oportunidades.
A questão central é, por isso, institucional: que regras favorecem universidades mais abertas, competitivas, responsáveis e capazes de se renovar? Melhorar o sistema exige mexer nos incentivos, nos mecanismos de recrutamento e progressão e na forma como o poder se distribui e se reproduz dentro das instituições.