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Carreiras académicas: o sistema que alimenta a rivalidade e enfraquece a universidade

Uma reforma simples para universidades melhores

22 de janeiro de 2026 · Jornal Observador

As universidades pedem colaboração, partilha de recursos, projetos conjuntos e construção de massa crítica. Mas o modo como as carreiras académicas estão organizadas em Portugal introduz frequentemente o incentivo contrário: colegas passam a competir entre si por oportunidades escassas de progressão, num sistema em que recrutamento e promoção acabam por se confundir.

O problema não é apenas individual ou relacional. É estrutural. Quando progredir depende de derrotar colegas num concurso ocasional, a cooperação deixa de ser o resultado natural do sistema e passa a competir com incentivos de autopreservação. Ao mesmo tempo, os concursos abertos a candidatos externos podem parecer processos de progressão interna disfarçados, alimentando desconfiança e tornando o próprio recrutamento menos credível.

O texto defende uma separação clara entre recrutamento e promoção. O recrutamento deve ser aberto e competitivo quando a universidade precisa de novas pessoas, competências ou capacidade. A promoção, pelo contrário, deve assentar em critérios públicos, exigentes e previsíveis, com avaliação séria e externa, mas sem transformar cada passo da carreira numa competição entre colegas.

A questão de fundo é institucional: uma universidade que quer cooperação, liberdade académica e capacidade para assumir riscos intelectuais não pode organizar as carreiras como um jogo de soma zero. Exigência e previsibilidade não são incompatíveis. Pelo contrário, podem ser parte da mesma infraestrutura de confiança.

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